O CREMERJ registrou 987 casos de médicos vítimas de algum tipo de agressão durante o exercício profissional entre os anos de 2018 e 2025. O número equivale a quase mil ocorrências no período e reflete apenas os casos oficialmente comunicados ao Conselho pelos próprios profissionais.
De acordo com o levantamento, as agressões se manifestam de diferentes formas. Do total registrado, 14 ocorrências foram classificadas exclusivamente como agressão a mulheres médicas. As agressões físicas somaram 89 casos, sendo 60 contra mulheres e 29 contra homens.
A agressão verbal aparece como o tipo mais recorrente, com 459 registros. Desses, 297 atingiram mulheres e 162 homens. Já os casos de assédio moral totalizaram 208 ocorrências, sendo 121 contra mulheres e 87 contra homens. Outros tipos de agressão somaram 217 registros, com 114 casos envolvendo mulheres e 103 homens.
O levantamento também revela que a maior parte das ocorrências acontece em unidades públicas de saúde. Foram 717 casos registrados nesses estabelecimentos, contra 270 em unidades privadas.
Outro dado que chama atenção é o aumento no número de registros ao longo dos anos. Entre 2018 e 2021, foram contabilizados 397 casos. Já no período de 2022 a 2025, o número subiu para 590 ocorrências, indicando crescimento nas notificações de violência contra médicos durante a atividade profissional.
As informações foram obtidas a partir do Portal da Defesa Médica, disponível no site do CREMERJ, onde os próprios profissionais podem registrar as ocorrências. Apesar do total significativo, ainda há subnotificação, pois muitos médicos optam por fazer apenas boletim de ocorrência (BO) ou registro de ocorrência (RO) junto às autoridades policiais ou, em alguns casos, nem formalizam a denúncia por medo ou insegurança.
Diante desse cenário, o CREMERJ reforça a importância de que todos façam o registro policial e, também, informem à autarquia sobre qualquer tipo de agressão sofrida no ambiente de trabalho. Esses dados são importantes para fortalecer medidas junto aos gestores.
O levantamento foi divulgado durante um evento sobre a importância de segurança nas unidades de saúde, promovido nesta terça-feira, 5 de maio, pelo CREMERJ em conjunto com o CFM, que aconteceu na sede da autarquia, em Botafogo – na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. A programação ainda contou um debate qualificado sobre o cumprimento da Resolução CFM nº 2.444/2025, que dispõe sobre o tema, e a implementação de medidas para segurança dos médicos, como o botão de pânico nas unidades de saúde, conforme prevê a Lei estadual nº 11.070/2025.